25/09: The Edge

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Posted by: NunoVox
David Howell Evans nasceu em Barking, Essex, que fica na zona este de Londres, a 8 de Agosto de 1961. Os seus pais Gwenda e Garvin Evans são naturais do País de Gales, e mudaram-se para a Irlanda, mais propriamente para Dublin, quando o seu filho tinha apenas um ano. A família também incluía a irmã mais nova, Gil, e o irmão mais velho, Dick.
Em criança, David Evans era muito sossegado e gostava de estar sozinho, mas era também considerado muito inteligente. Era um excelente aluno, e antes de conhecer o resto da banda, tinha planos de ir para a universidade e formar-se em medicina. Tinha 15 anos quando pegou numa guitarra e o seu herói era Rory Gallagher “era o único verdadeiro guitarrista da Irlanda” admitiu.



Foi durante o Outono de 1976 que o jovem viu o bilhete de Larry. Foi o primeiro a responder ao “anúncio” e apareceu na sua casa juntamente com o irmão Dick e o amigo Adam Clayton. Nesses encontros, Edge demonstrou o seu talento a tocar guitarra, e a química entre os membros tornou-se evidente desde o início. O nome The Edge foi atribuído por Bono devido às suas feições e ao hábito de observar tudo a partir da periferia.
O estilo que desenvolveu ainda muito jovem, nada devia aos blues ou ao hard rock. “Sempre pensei que os solos de 15 minutos são uma perda de tempo, e o que eu gostava mesmo era de pessoas que tocavam as canções. É muito difícil a canção ser realmente boa com uma guitarra única e interessante.”
The Edge juntou-se a um grupo religioso Cristão, o Shalom, no início dos anos 80, juntamente com Bono e Larry. Estavam os três à procura de espiritualidade e da resposta à grande pergunta, no entanto, estes assuntos colocaram a banda em risco. Encontravam-se divididos entre os ideais Cristãos e o estilo de vida do rock and roll. Enquanto que Larry e Bono escolheram a banda rapidamente, Edge encontrava-se mais dividido. Tinha muitas dúvidas e quase abandonou os U2 no período que antecedeu o álbum War. Mas no fim de contas, acabou por aceitar o conselho de Bono e seguir o seu coração e, depois de um período de procura, também escolheu a banda. O guitarrista apercebeu-se de que não havia nenhum problema entre as suas crenças e a sua música, as pessoas é que colocavam esse problema.

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Posted by: admin
Nascido em Chinnor, Oxfordshire a 13 de Março de 1960, Adam Clayton, filho de um piloto da RAF, mudou-se para Dublin aos cinco anos, quando o seu pai aceitou trabalhar na Aer Lingus. Foi estudar para um internato aos oito anos mas a partir daí a sua carreira académica esteve sempre longe da estabilidade. Passou pelas escolas de Castle Park e St Columba, onde ficou conhecido por desafiar as autoridades.
Em St. Columba, no início da sua adolescência, Adam começou a demonstrar um certo talento e interesse pela música. Comprou uma guitarra acústica velha e foi persuadido por um colega, John Lesley, a tocar baixo e começar uma banda. A sua mãe ficou aliviada uma vez que Adam começou finalmente a demonstrar um interesse e ofereceu-lhe o instrumento.



Foi por esta altura que Adam começou a usar óculos escuros e roupas hippy que se tornaram na sua imagem de marca. No entanto, o novo visual não agradou às autoridades escolares especialmente quando o jovem começou a faltar às aulas para fumar com um grupo de raparigas. Os seus tempos em St. Columbia chegaram assim ao fim e a pouco e pouco começou-se a formar um rebelde dentro de Adam.
Em 1975 os seus pais desistiram de gastar dinheiro na sua educação e colocaram-no na escola Mount Temple Comprehensive onde Adam encontrou a sua banda. O grupo de amigos Lypton Village ficou fascinado com o seu sotaque, o seu visual, o modo como fumava como uma mulher. No que toca aos primeiros dias dos U2, Adam foi quem mais se empenhou e trabalhou na ideia de fazer esta jovem banda sobreviver no mundo da música. Tal como disse Bono “O Adam foi o primeiro a acreditar que esta banda poderia resultar” e Paul McGuinness “O Adam foi o meu predecessor. Quando o conheci era ele o manager da banda. Era muito esperto e entendia o que estava a fazer.”
A ousadia da sua adolescência transformou-se em confiança à medida que Adam se tornava adulto. Esta característica foi muito necessária quando Adam se tornou no “outsider” da banda no início dos anos 80, quando os outros membros contemplavam o destino da banda de uma perspectiva espiritual. O baixista não sentia a necessidade desse tipo de suporte e não frequentava as reuniões do Shalom, mas apesar de tudo, sempre respeitou a posição dos outros três, mesmo quando sentiu que a tensão entre as crenças e os assuntos da banda poderiam acabar com os U2. No entanto, a sua posição na banda nunca esteve em risco, e para provar isso, Adam foi o padrinho de casamento de Bono em 1982. “Adam salvou a banda mais que uma vez, e essa foi uma delas” disse Barry Devlin, baixista dos Horslips “Na época de October eles queriam acabar e dedicar as suas vidas a Deus, mas Adam conversou com eles e convenceu-os a continuar.”



As crises que estremeceram a banda nesta época finalmente desapareceram e os U2 continuaram a sua jornada entrando nos corações de pessoas de todo o mundo. O baixo memorável e inventivo de Adam definiu clássicos como “New Year’s Day” e “With Or Without You”. Ao mesmo tempo, juntamente com Larry na bateria, gradualmente ele consolidou o “som de trás” dos U2. Os acordes relaxados contrastavam com as batidas precisas da bateria, o que caracterizou e continua a caracterizar as canções dos U2. Formavam o quadro branco que Bono e The Edge podiam pintar com as suas cores dramáticas. Em 2000 Adam assumiu que “é o resultado de anos e anos a tocar com o Larry, e assim sei que ele tem um determinado ritmo e um determinado modo de produzir o seu som.”
Em Agosto de 1989 surgiu outra crise: Adam apareceu nos jornais quando foi preso em Dublin por posse de uma pequena dose de cannabis, com a intenção de a fornecer a terceiros. Conseguiu evitar a condenação (que teria efeitos devastadores para os U2) através de uma doação para caridade. O seu arrependimento, mesmo anos mais tarde, não foi devido à natureza do crime, mas ao facto de que foi realmente um crime “A culpa foi minha. E tenho a certeza que não estava com a cabeça no sítio – emocionalmente afastado de qualquer outra coisa. Mas foi sério porque é ilegal.”

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Larry Mullen Jr. nasceu a 31 de Outubro de 1961, em Artane (norte de Dublin). Era provavelmente o mais convencional em termos de base familiar. O seu carácter calmo era enganoso, como relembra Neil McCormick “Provavelmente nós subestimamos o Larry porque ele era mais novo que nós. Ele era muito trabalhador. Tinha uma namorada simpática, Ann, com quem ainda está. Ela era faladora e popular, muitas vezes era ela que falava por Larry, porque ele não se importava de ficar calado. Mas ele tinha muitos princípios aos quais se agarrava, e aos poucos foi-se tornando na pessoa que é hoje.”
A educação musical de Larry começou muito cedo, com lições de piano de uma “senhora muito simpática” que vivia perto de sua casa. Os pais, Larry e Maureen, acreditavam que seria bom para ele ter uma formação musical, e o jovem mostrava-se feliz com isso. “Mas eu nunca fui bom a tocar piano. E um dia, quando voltava para casa do Colégio da Música, ouvi alguém tocar bateria.” Assim, Larry voltou-se para a mãe dizendo “Ouviste? Eu quero tocar aquilo!”



Depois disto, em 1971, Larry teve aulas com Joe Bonnie para aprender a tocar, mas depois de algumas lições descobriu que seria melhor desenvolver o seu próprio estilo, tentando acompanhar os discos de Bowie e dos Stones e deste modo libertar-se do tédio das aulas técnicas. Em 1973, o jovem estava na posse de uma bateria feita por uma companhia tailandesa, oferecida pela irmã Cecília. Enquanto tocava em bandas como os Artane Boys Band começou a desenvolver esse seu estilo.
Em 1976 colocou um aviso na Escola Mount Temple Comprehensive para que quem estivesse interessado em formar uma banda aparecesse em sua casa no fim das aulas. A partir daí a sua vida nunca mais foi a mesma. Apesar de toda a gente reconhecer como U2 a banda que resultou desses encontros, Larry defende que o verdadeiro nome da mesma é “The Larry Mullen Band”.
Em 1978, o jovem Larry sofreu uma perda trágica. A sua mãe faleceu num acidente de automóvel em 1978, mesmo antes de ele completar 17 anos. Depois disto, Larry quis deixar a banda, e era o que teria feito se Bono não o convencesse a ficar. De facto, o vocalista foi o seu grande apoio uma vez que tinha passado pelo mesmo.

O som da bateria de Larry pode ser ouvido distintamente logo nos primeiros álbuns dos U2. No entanto, ele não tinha bem ideia daquilo que estava a desenvolver “Nunca pensei nisto como um “estilo” até que alguém disse que eu tinha “um estilo único”. Eu apenas faço o que faço.” Mas a verdade é que a evolução no seu modo de tocar foi e é possivelmente o elemento mais importante no desenvolvimento dos U2 desde a tradicional banda de rock dos anos 80 até à época mais experimental dos anos 90.

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05/08: Bono

Category: Bono
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Por volta da década de 50, um vidente disse a Iris Hewson que esta iria ter dois filhos, e que um deles, com a inicial P, seria famoso qualquer que fosse o caminho que seguisse. Destino ou acaso, a 10 de Maio nasceu Paul Hewson, mais conhecido por Bono, que de facto se viria a tornar numa das personalidades mais relevantes do mundo da música e não só.

Iris era protestante e Bob, o seu marido, era católico. Numa Irlanda conservadora, isto representava uma anormalidade de grande escala, que marcou desde cedo a educação e a identificação pessoal do jovem Paul. Desde cedo, este revelou uma personalidade forte e curiosa, sempre a questionar tudo o que via. Durante a sua infância travou uma forte amizade com Fionán Harvey (mais tarde conhecido como Gavin Friday) e com Derek Rowen (Guggi). “Nós éramos muito diferentes em vários sentidos. Os nossos interesses eram diferentes” revelou Guggi. No entanto, nada fazia prever a catástrofe que estava prestes a acontecer na vida do adolescente de 14 anos. Iris faleceu devido a um aneurisma cerebral durante o funeral do próprio pai. Isto lançou Paul num furacão de raiva e num certo grau de delinquência. Mais tarde ele revelou que duas semanas da sua vida passaram completamente em branco.
Nas palavras de Gavin Friday, “Houve uma ligação. Bono tinha perdido a mãe ainda muito jovem e por isso sentia-se sozinho. Guggi também estava sozinho, tal como eu. Assim nasceu uma amizade.”
A escola Mount Temple Comprehensive foi o local onde Paul encontrou a sua banda, a sua esposa e a sua fé. Era uma escola multicultural, muito diferente do regime normal da Irlanda. Foi também nesta altura que Guggi lhe deu o nome Bono Vox. Este seria o seu futuro nome artístico. Tinha alusões a grandezas já que em Latim significa “boa voz”, mas em Dublin, Bono Vox era o nome de uma loja de aparelhos para ouvidos.
A atribuição de alcunhas era uma “tradição” entre os membros do Lypton Village, um grupo de amigos que se reunia em Dublin. Ninguém tem a certeza de onde veio esse nome. Gavin defende que o grupo se chamava apenas The Village e só mais tarde, quando se tornou oficial, acrescentou o prefixo. Esta comunidade viu nascer duas bandas, os U2 e The Virgin Prunes, liderados por Gavin e Guggi, um projecto artístico mas também um pouco provocador.
No decorrer da década de setenta, o jovem Bono parecia interessar-se cada vez mais pela música. Um dos seus maiores prazeres era participar no grupo de teatro da escola onde poderia subir ao palco e cantar. Foi essa crescente paixão que o fez responder a um anúncio que visava a formação de uma banda. O papel colocado na escola Mount Temple pedia a quem estivesse interessado em fazer parte de um grupo musical para aparecer no fim das aulas na casa de Larry Mullen Jr.
Larry, ainda muito jovem na altura, seria o baterista e os restantes teriam que ocupar outras posições. Apareceram também Dave Evans, a quem The Village viria a chamar The Edge e Adam Clayton entre outros. Todos possuíam certas capacidades musicais, embora limitadas, mas o mesmo não se passava com Bono. Este não conseguia tocar guitarra e a sua voz (ainda) não era muito afinada, no entanto, o seu carisma e capacidade para escrever canções poéticas valeram-lhe o lugar de vocalista da banda. Do primeiro encontro da banda, Larry relembra com um sorriso: “Eu mandei durante cinco minutos, quando dizia a toda a gente o que fazer. Mas assim que o Bono chegou, fui logo despedido.”
Também foi no decorrer de 1976 que Bono começou a sua relação com Alison Stewart, com quem viria a casar em 1982..

Na sua adolescência, Bono já revelava uma certa aversão em relação a religiões organizadas, no entanto, encontrou o seu refúgio espiritual numa seita Cristã com base em Dublin, o Shalom. Edge e Larry juntaram-se a ele e os três fizeram parte desta organização.
Desde os primeiros tempos da banda, sempre expressou o desejo de não se tornar numa típica “pop star” e trabalhou para se tornar um cantor cada vez melhor. Em palco, o seu carisma era cada vez mais evidente, costumava ajoelhar-se em frente à guitarra de The Edge, como se quisesse absorver os sons do instrumento. Já parecia fascinado com tudo o que representava estar em palco, e já se mostrava confiante que a sua música poderia mudar vidas. Sobre um dos primeiros concertos, Neil McCormick recorda: “Os miúdos estavam aos berros. O Bono saltava e fazia vários movimentos. Ele não era um grande cantor. Ele tornou-se num grande cantor porque tinha personalidade.” Era já evidente que ele não encaixava no padrão das típica estrelas de rock.
A sua voz poderosa evoluiu ao longo dos anos demonstrando uma versatilidade raramente ouvida em bandas de rock: no início da década de 80, assistia-se a uma voz de um adolescente rebelde e ansioso em álbuns como “Boy”, “October” e “War”; no final dessa mesma década, a voz de Bono era cheia de raiva e ao mesmo tempo paixão, nos álbuns “The Unforgetable Fire”, “The Joshua Tree” e “Rattle And Hum”.
Frequentemente, “mergulhava” no meio da multidão, subia colunas do palco com uma bandeira branca, entre outras acções que por vezes preocupavam o resto da banda, tal como referiu recentemente Larry “Ele não se importa. E isso é um dom incrível. Mas também é uma autêntica praga! Nós preferíamos que ele tivesse mais cuidado.”
Em 1984 ele fez parte da Band Aid ao gravar o tema “Do They Know It’s Christmas”, com a finalidade de obter ajuda para aliviar a fome na Etiópia. Um ano mais tarde, a banda participou no Live Aid, um concerto do qual fizeram parte alguns dos mais prestigiados artistas da época, cujos lucros também reverteram para caridade. O contacto físico que Bono tanto gosta de ter com o seu público foi bem evidente durante a actuação dos U2 neste evento, quando o vocalista saltou do palco para dançar com uma mulher da audiência. Um momento que dificilmente será esquecido.

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